A melhor nova serie, ate agora
Acaba de estrear no canal aberto NBC um dos novos seriados mais esperado dessa temporada, "Studio 60 on the Sunset Strip". A história se passa nos bastidores de um programa estilo "Saturday Night Life" e, no primeiro episódio, a convidada da noite é Felicity Huffman, a Lynete de "Desperate Housewives". Ela está insegura com o monólogo escrito para que ela apresente o programa, comenta isso com o roteirista principal e ele diz que ela tem razão, o monólogo não tem mesmo nenhuma graça. Antes mesmo de ela entrar no ar, começa o esquete que chamaria para a programação, com um ator imitando o presidente George Bush. Irritado com a falta de graça das piadas, o roteirista principal do programa tem um ataque de nervos, interrompe o quadro ao vivo e começa um discurso sobre a decadência da programação da TV.
O episódio gera uma grande crise no canal, e os principais executivos, que estão em um jantar de boas-vindas para a nova executiva contratada (a atriz Amanda Peet, de "Something's Gotta Give" e "The Whole Nine Yards", junto de Matthew Perry), decidem tomar alguma providência imediatamente. A nova executiva tem uma idéia ousada: contratar a dupla de roteiristas Matt Albie e Danny Tripp. Em outra festa, os dois roteiristas (Matthew Perry é Matt Albie e Bradley Whitford é Danny Tripp) recebem um prêmio sem saber que estão sendo considerados para voltar ao programa de onde foram demitidos quatro anos atrás. O personagem de Matthew Perry é o alpha male da dupla e entra em cena dizendo algumas das poucas piadas do primeiro episódio. Conta ainda que machucou as costas e está sob o efeito de um remédio poderoso contra a dor à base de opiáceo, o Vicodin (na vida real, o ator foi mesmo viciado em Vicodin e bebida, e se internou duas vezes em clínicas de reabilitação durante os 10 anos que durou o seu maior sucesso até agora, "Friends").
Seu parceiro, no entanto, está com problemas mais graves. Ex-viciado em cocaína, não passou no último teste anti-drogas a que se submeteu há alguns dias (a história ainda não foi contada por inteiro, mas aparentemente ele foi preso com drogas e condenado a fazer reabilitação e testes semestrais). O seriado é uma superprodução, no estilo "West Wing", do mesmo criador deste programa, Aaron Sorkin. As drogas também fazem parte da biografia do roteirista, que em 2001 foi preso em um aeroporto na Califórnia com maconha, cocaína em pedra e cogumelos alucinógenos. Nunca dá para dizer ao certo se um seriado vai ser bom ou não pelo primeiro episódio (nem "Seinfeld" nem "Curb Your Enthusiasm", dois entre os meus favoritos, me pegaram no primeiro capítulo). Mas o investimento nessa série é alto, tem um monte de gente de talento trabalhando, e Matthew Perry, pelo menos no primeiro capítulo, mostrou que há vida inteligente após "Friends", coisa que nenhum de seus colegas conseguiu provar até agora. Com a possível exceção de Jennifer Aniston, que tem chance de virar uma atriz razoável quando parar de fazer cara de enfezada em seus filmes.

Meirelles adapta livro de SaramagoFonte: Folha Ilustrada
"Ensaio sobre a Cegueira" vai ser filmado pelo diretor de "Cidade de Deus" com locações em SP
Em 1997, bem antes de lançar "Cidade de Deus" (2002), o diretor Fernando Meirelles tentou comprar os direitos de "Ensaio Sobre a Cegueira" (1995), romance de José Saramago. O escritor português ganharia o Nobel de Literatura em 1998. Meirelles queria fazer da adaptação do livro seu primeiro longa, mas Saramago não topou, argumentando que não havia muito sentido em transformar em imagens uma história sobre a cegueira.
Dois anos depois, Saramago aceitou vender os direitos à produtora canadense Rhombus Media e, por obra do destino, caberá a Meirelles assumir a direção de "Blindness" (título do romance em inglês).
O filme é uma co-produção entre Brasil (leia-se O2), Canadá, Reino Unido (Potboiler Productions, produtora de "O Jardineiro Fiel") e Japão (Bee Vine Pictures), apresentada oficialmente anteontem, durante o Festival de Toronto.
"Vocês foram mais persistentes do que eu", brincou Meirelles, durante o anúncio do projeto. "O engraçado é que voltou para minhas mãos."
Intercâmbio
O projeto irá se beneficiar de um programa de financiamento dos governos canadense e brasileiro, que hoje promovem encontros entre cineastas e produtores dos dois países.
Niv Fichman, produtor do filme do lado canadense, conta que Saramago se animou justamente pela idéia de co-produção internacional, sem uma "voz dominante", além de uma promessa de que o filme não cairia nas mãos de um grande estúdio hollywoodiano.
Aprovado o contrato, o escritor teria sido solícito, evitando, no entanto, fazer comentários sobre o roteiro. "Ele tinha mais idéias sobre elenco, coisas assim", afirma ele.
"Blindness" será falado em inglês, mas o elenco ainda não foi escolhido. O filme está orçado em US$ 20 milhões (cerca de R$ 43 milhões), e será rodado em meados do ano que vem, nos arredores de Toronto (a equipe começa a procurar ainda nesta semana uma locação para o asilo que aparece no livro) e São Paulo (sobretudo externas, sem identificar, como no livro, a cidade). Os produtores esperam lançá-lo até março de 2008.
